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"Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?"

Biscoito, bolacha, hábitos e atitudes sobre doações no Brasil.


Por Zeca Teodoro, cientista social, doutorando na Universidade Federal de São Carlos - UFSCar Oficial, professor na UNESP - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", estuda relações entre Estado e Sociedade Civil desde o século XX e é integrante do Movimento por uma Cultura de Doação.


Foto: Autoria desconhecida

Cientistas sociais morrem de medo de escrever a palavra cult... Ops! Talvez maiores ou menores do que possam parecer ao primeiro olhar, esses temores não são desarrazoados.


Talvez, com alguma razão, desconfiem que seja bastante difícil, um tanto pelas suas reverências às múltiplas diversidades culturais planetárias; seja outro tanto pela impossibilidade lógica imediatista, de alterar significativamente hábitos & atitudes ou razões & motivos de práticas donativas ao sabor do vento ou mudando-se chaves cognitivas, seja por meio de indução educacional ou estímulos publicitários.


Doar, como todo processo social ou político, está na categoria dos fenômenos humanos (raramente passíveis de explicação densa em seu todo), complexos por natureza, multivariados e carregados de signos, significados e significantes.


Assim, admite-se também aqui nesse texto que a incorporação de fatores motivacionais para que se ampliem significativamente as práticas de ações donativas no Brasil é um universo paralelo, em plena expansão, dentre os muitos demais universos nos quais estamos imersos e habitamos no dia a dia.


Outra assunção prévia para esse texto é a de que nenhum argumento, por mais estruturado racionalmente que pareça, se move sem paixões que o precedam. Algumas apartações puristas tendem-nos ao estímulo de que caminhemos (com alguma aparente segurança) para agregações em “tipos ideais” de razão versus emoção ou teoria versus prática. São processos integrados, complementares, indissociáveis.


Um desses belíssimos universos paralelos por nós habitados é o grupo de WhatsApp do Movimento por uma Cultura de Doação, MCD (movimento que já completa 10 anos em 2023 e caminha para um belíssimo planejamento estratégico situacional para a próxima década), com 324 membros, no início de outubro 2023.


Naquele grupo, mesmo respirando e trocando impressões e conexões sobre doar, doações, filantropia e incremento a práticas donativas no Brasil e no mundo, mesmo após uma década de convivência, ainda não ocorrera aos membros do Grupo tornarem-se doadores...ao próprio Grupo!


E num daqueles fenômenos típicos de “correntes de opinião”, que se formam “aleatoriamente” sob influências de inúmeras e diversas forças, aparentemente juntando em um mosaico perfeito, combinações poderosas e convergindo para ação coletiva, eis que, tornamo-nos doadores do próprio MCD.


Com uma gigantesca força de arrasto (tal qual as correntes marítimas + posição do Sol e da Lua, em relação à Terra) e suas influências sobre as marés, o Movimento acionou mecanismos internos de amplo espectro, incluindo manifestações de paixões ancestrais pela causa ou reflexões imediatas sobre sustentabilidade das causas, do movimento e do setor. Essas manifestações redundaram em ações práticas e uma lista de doares recorrentes que pode chegar a 70 nomes na data de hoje, apesar das ainda pouco limitantes condições de doação regular, que precisam ser mediadas pela plataforma PayPal.


Esplendoroso, o movimento dentro do Movimento, foi ativado inicialmente por reflexões calorosas ao coração e estimulantes à mente, como sempre, nada triviais, trazidas por Devam Bhaskar (Geraldinho Vieira), do Instituto Alok e Dhyan Yoga e Meditação. Gratíssimo, Devam, por esse acionamento do despertar coletivo, a partir de ação individual sua.


Aqui, também rendo homenagens aos primeiros 10 nomes da lista que começou a ser arrolada na segunda-feira, dia 02 de outubro de 2023 e – provável e possivelmente – pode atingir 108 nomes na próxima semana. 😉


Primeiros nomes listados no Grupo do Movimento por uma Cultura de Doação, como doares recorrente para o MCD, no dia 02/10/2023. Mantive nomes, identificações e grafias tais qual circulam no Grupo. 1.Devam; 2. Danielle Fiabane; 3. Nina Valentini; 4. Daniela Nascimento Fainberg; 5. Patricia Valente Haj Mussi; 6. Rachel Añón; 7. Thiago Alvim; 8. Sônia Bonici; 9. Maria Cecilia Lins; 10. Luiza Serpa.


Esse número, 108 doadores recorrentes, quando atingido, significará o alcance de um terço dos atuais membros (324) cadastrados como doadores recorrentes ao MCD. É, no mínimo razão e motivo para uma nova celebração ao estilo das grandes efemérides do setor, que só Lais de Figueiredo Lopes poderia capitanear. Fica a dica! 😉


Reflexiono ainda um pouco mais sobre as motivações para escrita desse texto, que, dessa forma, só é possível porque passa e perpassa por ações poderosíssimas, nem sempre visíveis ali no Grupo MCD, incluindo visitas presenciais às muitas gentes muito queridas, recentemente, em Brasília (Cássio França, Laís, Luiza), Mato Grosso do Sul (Márcia e Mônica) e Mato Grosso (Aletéa).


O banho diário de construções dentro do Movimento Cultura de Doação, traz aos encontros episódicos (uma pena) ainda que raros, um valor adicional de riqueza e de enriquecimento pessoal e espiritual que só reforçam laços donativos.


Seguramente – descubro vasculhando os inconscientes – um motivador adicional para esse texto: está na pergunta que me dirigiu o querido Sérgio Rizzo, Diretor na Deusdará Filmes, em julho 2023, também nome listado no Grupo MCD.


“Quando foi que você se percebeu um doador, um doador recorrente, talvez?”. Com o perdão pela possível imprecisão da pergunta do Sérgio, aquele momento ainda está (e seguirá) indo e vindo consciente e inconscientemente no meu pêndulo de vida.


Ali, para o Sérgio, descobri-me uma espécie de “doador compulsório”, já que filho mais velho entre seis, não tem muita escolha, quase tudo seu acaba sendo “doado”, partilhado para e com os irmãos mais novos, até que alguma estabilidade familiar permita compras individualizadas.


Ao mesmo tempo, ainda no século XX, quando me percebi “doador recorrente”, já adulto, estava fazendo pagamentos regulares - também já se usou uma espécie de carnet, talão para pagamentos bancários mensais – para Anistia Internacional Brasil, instituição totalmente voltada para proteção de gente que sofre violações de seus direitos e que precisa de aliados na luta contra a injustiça, sejam mulheres, homens, crianças, idosos, em qualquer lugar do planeta. A vela para iluminar a escuridão, que ilustra esse texto, é marca registrada da Anistia Internacional. Minha última homenagem, por hoje.




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