Uma nova filantropia para um novo Brasil



Por Rodrigo Alvarez, diretor da Mobiliza, membro do Conselho do TETO e fundador da ABCR - Associação Brasileira de Captadores de Recursos.


Publicado originalmente no Vozes do MCD*



Este ano de 2022 vai ficar marcado pelo “quase fim” da pandemia de COVID-19 que gerou, por um lado, o aumento dos problemas econômicos e sociais brasileiros e, por outro, um certo renascimento da filantropia, responsável por volumes de doação recordes e por inovar em modelos de campanhas, colaboração e agilidade, que contribuiu para atenuar os efeitos da pandemia.


O ano também marca um período de eleições majoritárias para o chefe do executivo. Independente de quem será eleito, chegaremos a uma década (desde os movimentos de rua de 2013) marcada por crises crônicas em quase todos os campos de atuação do setor de impacto social: meio ambiente, educação, saúde, assistência, direitos humanos... a lista não para. Todas estas pautas trazem uma responsabilidade de que este renascimento da filantropia no Brasil seja duradouro e consistente.


Muitos assuntos têm enriquecido o debate sobre a cultura de doação e a filantropia e aqui aponto uma lista de desejos para que a filantropia, nesse “novo Brasil”, possa se renovar. Aqui vai minha lista:


Mais confiança, menos controle – que os filantropos possam construir relações de mais proximidade e confiança com as OSCs, suas equipes e sua missão, em detrimento do investimento em projetos e o controle como padrão;


Mais investimentos diretos – que os investidores sociais (especialmente as empresas) se abram para realizar investimentos diretos, complementando seus orçamentos de investimento social com recursos incentivados;


Democratizar e descentralizar os recursos – fazer com que os recursos sejam também acessíveis por movimentos populares, coletivos, grupos não formalizados, em geral periféricos;


Pautas emergentes e pautas clássicas atuando de forma integrada – olhar para as pautas emergentes (notícias falsas, riscos à democracia, igualdade racial, diversidade) ao mesmo tempo que as pautas clássicas não sejam esquecidas e sejam tratadas de forma transversal com as novas pautas;


Todos os mecanismos de financiamento a serviço do impacto – inovar no uso conjunto de instrumentos financeiros para o impacto social, desde a filantropia clássica até estruturas de financiamento de negócios de impacto atuando juntas;


Fortalecimento institucional para as OSCs – pauta antiga, mas que precisa ser olhada com atenção pela filantropia e com investimentos sérios e significativos;


Mais colaboração entre filantropos – também uma pauta emergente, vejo filantropos cada vez mais experimentando o investimento conjunto, que aumenta a complexidade, mas também aumenta o aprendizado e a inovação.

Enfim, são tantos desejos... Espero que possamos escolher o “longo caminho curto”, aquele que vai nos dar mais trabalho e trazer mais desafios, mas que certamente nos levará à mais prosperidade e mais resultados.



Crédito da Imagem: Freepik.com


* O Vozes do MCD é um espaço onde integrantes do Movimento podem compartilhar experiências e reflexões sobre doação. As opiniões expressas nos textos publicados não necessariamente refletem o posicionamento oficial do MCD.

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