O futuro da comunicação deve ser pelo bem comum
- há 3 dias
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Por Élida Ramirez, jornalista, especialista em Processos Criativos em Palavra e Imagem pela PUC Minas, mestre em cinema documentário pela Universidad del Cine (AR), diretora na Pomar Comunicação e Causas, colunista da Rádio Inconfidência, repórter no Diário do Comércio, coordenadora do Movimento Minas 2032 - Pela Transformação Global e integrante do Movimento por uma Cultura de Doação
Há quem ainda veja a comunicação como uma ferramenta para “divulgar ações”. Mas, para quem atua com causas, ela precisa ir muito além disso. Comunicação é mobilização. É ponte entre dores invisibilizadas e soluções possíveis. É o que transforma números em rostos, projetos em pertencimento e iniciativas em movimento coletivo.
Contar histórias de transformação social não é apenas emocionar. É sensibilizar empresas, governos e a sociedade para compreenderem que desenvolvimento econômico sem impacto humano não sustenta o futuro. Quando uma história é bem contada, ela gera conexão, engajamento e, principalmente, compromisso.
O problema é que a comunicação de causas ainda é muito mal utilizada — e muitas vezes mal compreendida — até por profissionais que seguem desconectados da Agenda 2030 e dos desafios reais do nosso tempo. Ainda vemos discursos vazios, campanhas superficiais e narrativas que exploram vulnerabilidades sem gerar consciência ou mudança estrutural.
Os alertas mais recentes do IX Relatório Luz da Sociedade Civil sobre a Agenda 2030 no Brasil, lançado em 2025 pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 — coalizão formada por dezenas de organizações, movimentos e instituições — reforçam exatamente isso: o Brasil segue acumulando metas dos ODS em retrocesso, ameaçadas ou estagnadas. O relatório evidencia ainda que, mesmo diante de alguns avanços, o ritmo ainda é insuficiente frente às desigualdades sociais, à crise climática e aos desafios estruturais do país. Isso mostra que o desafio não está apenas nos governos ou nas organizações sociais. Ele está posto para todos nós.
Comunicar causas exige responsabilidade, escuta, estratégia e visão de futuro. Não basta dominar as técnicas de “storytelling”, aliás, recurso vendido por agência de comunicação que em seu modelo de negócio desrespeitam até direitos trabalhistas e humanos. É preciso entender territórios, pessoas, indicadores sociais, sustentabilidade, direitos humanos e impacto coletivo.
A Agenda 2030 não é uma pauta paralela. Ela deveria ser uma bússola para toda comunicação que deseja permanecer relevante nos próximos anos. Porque as marcas, instituições e lideranças que não aprenderem a dialogar com propósito perderão algo fundamental: a capacidade de gerar confiança.
Felizmente, também existem no mercado negócios verdadeiramente comprometidos com a entrega técnica e com a efetividade prática da comunicação na transformação de vidas.
Profissionais e organizações que compreenderam as exigências da nova economia — mais humana, sustentável, colaborativa e orientada por impacto — já atuam com uma comunicação transmídia integra diferentes plataformas, linguagens e experiências, criando conexões reais entre pessoas, territórios e causas. São estratégias que não apenas alcançam públicos, mas geram pertencimento, mobilização e resultados concretos. E talvez exista algo ainda mais valioso nisso tudo: quem comunica com propósito, responsabilidade e coerência consegue também dormir em paz, porque entende que comunicar não é manipular percepções, mas contribuir para transformar realidades.
O futuro pertence às narrativas que mobilizam pelo bem comum. E escolhi fazer parte disso visceralmente.






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