Ser círculo em um mundo de quadrados
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Por Joana Ribeiro Mortari, doadora e ativista por uma filantropia com práticas coerentes com a transformação desejada. Cofundadora Philó e do Movimento por uma Cultura de Doação. Idealizadora do Filme Doar.
Quando de seu nascimento oficial, em 2012, o Movimento por uma Cultura de Doação (MCD) tinha três estratégias principais: uma campanha nacional para falar sobre doação, dados sobre doações de indivíduos e recursos para o financiamento de estratégias de promoção da cultura de doação no Brasil. Tínhamos uma forte convicção de que, para sermos relevantes, precisávamos encontrar uma forma de estar no mundo que acolhesse os muitos que, sabíamos, chegariam ao longo do tempo. Escolhemos a forma de um movimento porque, para alcançarmos uma realidade diferente, é preciso que a mudança esteja em cada um de nós. Ser movimento é como ser um círculo em um mundo de quadrados. Vivem exigindo de nós ângulos retos, facilmente reconhecíveis e valorizados pelos demais, e vivemos tendo que nos reconhecer como círculo.
No planejamento estratégico de 2025-2030, o terceiro de nossa história, considerando o impulso intuitivo inicial acima, que gerou o Dia de Doar, o apoio à Pesquisa Doação Brasil e o Fundo Bis, e o planejamento de 2020-2025, cujas principais entregas foram as Diretrizes para a promoção da Cultura de Doação no Brasil, o Mapeamento das organizações do campo e o Termômetro da Doação, repactuamos nossa intenção de continuar sendo círculo. Olhamos com afinco para o que isso exige de cada integrante do movimento, das lideranças voluntárias de mandados de Sustentação e de Iniciativa e das pessoas contratadas para sustentar nossas estratégias de atuação.
Não sei se já pararam para pensar, mas há duas maneiras de desenhar um círculo. A primeira é a que chegou rapidamente ao seu pensamento, antes mesmo de eu chegar a esta palavra. Na sua mente, um lápis girou sobre um papel, ou algo assim, e um círculo nasceu. De um ponto inicial do papel a um ponto final que o encontra. A segunda não aprendemos na escola: se, com uma régua e um lápis na mão, você desenhar retas, mudando delicadamente o ângulo da régua a cada uma, sempre na mesma direção, você eventualmente chegará a um círculo. Sim, de retas se faz círculo e, ao desenhálo, irá notar que não há um ponto inicial nem um final, mas um conjunto de retas que, juntas, se fazem círculo. Um movimento é um conjunto de retas, cada qual vinda de um ponto e rumo a outro, seguindo sua trajetória de vida, e que, em dado momento, se junta a outras que se fazem círculo. Ele não tem ponto inicial nem final, mas se dá a partir da potência do encontro em torno de um centro: o fortalecimento da cultura de doação brasileira.
Para isso, precisamos de pactos. Em 2026, demos um primeiro passo para trazer clareza a este pacto que nos torna círculo, que chamamos de Termo de Compromisso. Em outro observar-movimentar, estamos trazendo mais pessoas aos Mandados de Sustentação (aqueles que, como o próprio nome indica, sustentam o existir do Movimento). Isso exige tempo e cuidado ao formar novas relações que permitam o desenvolvimento das forças construtivas da confiança. Ao longo dos próximos meses, outras ações virão conforme observarmos sua necessidade, sempre em processo de ação e aprendizagem.
Enquanto exercitamos esta musculatura interna, que nos permite ser círculo em um mundo de quadrados, as estratégias para promover a cultura de doação continuam, claro.
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